Bla Bla Blogs

Arquivado em June, 2011

VIVENDO E APRENDENDO

Todas as vezes que se reúnem especialistas, em educação, para suas elucubrações, sem levar em conta as experiências e conhecimentos das pessoas envolvidas, lembro-me de uma visita, feita por mim, quando ainda era supervisor pedagógico, na antiga Delegacia de Ensino de Piracicaba.

Era uma escola isolada, num bairro rural, frequentada por crianças de 7 a 9 anos, filhos de colonos e pequenos sitiantes. A professora, residente na cidade, vinha a cavalo, para dar aulas para alunos de 1º, 2º e 3º anos, do curso primário.

Quando entrei, os alunos estavam ocupados em uma aula de desenho. (Em geral, quando percebiam algum visitante importuno, as professoras preferiam dar aula de desenho, para evitar recomendações indesejáveis).

Após os cumprimentos e apresentações, passei pelas carteiras, dando uma espiada nos desenhos. No momento, lembrei-me que, na época, a criatividade estava na moda. Então, me pus a contar uma história inventada pelos especialistas em Educação Artística, para mostrar a importância da criatividade, na escola.

Os alunos depuseram os lápis e se postaram atentos.

 

“Era uma vez uma professora que ensinava seus alunos a melhor maneira de desenhar. Quando os alunos começavam a rabiscar seus desenhos, ela se punha a inspecionar, aprovando todos aqueles que imitavam os desenhos expostos no quadro-negro, feitos por ela. Mais que de repente, se depara estupefata com o desenho do Zezinho. Era um passarinho, cujo bico ficava no topo da página, os pés se embrulhavam abaixo, o rabo saía da crista e as asas se abriam no avesso.

A professora, então, colocou o Zezinho, de pé, bem na frente da classe e, mostrando o caderno bem aberto na página do desenho, chamou a atenção dos alunos, para tal barbaridade e, diante do susto de todos, expulsou o Zezinho da sala de aula.

Na saída da escola, o passarinho destrambelhado do Zezinho saiu voando de seu caderno e, lá do alto, fez cocô na cabeça da professora que, com cara de nojo, enlambuzou a mão que passou pelos cabelos.

Zezinho, que esperava os demais colegas para ir embora, estava vingado!  Além disso, seu passarinho era de verdade!”

 

Terminada a história, enquanto todos aplaudiam, um dos alunos levantou a mão. Incentivado a dizer o que pensava, o menino comentou, meneando a cabeça:

– Mas passarinho nunca caga voando, não senhor!

E explicou que quando o passarinho sente vontade, assenta em alguma árvore, no muro, no telhado ou sentado no fio elétrico. É por isso que, nesses lugares, o chão vive cheio de titica. Os colegas concordaram, pois todos já conheciam o feito.

Olhei para a perturbada professora. Vivendo e aprendendo!

 

  Read More…