E agora, Senhor?
No começo do mundo tu disseste:
- Vai, multiplicai-vos e dominai a terra.
E nós seguimos à risca, teu conselho celeste.
Para o equilíbrio biológico, inventamos a guerra.
Nossa indústria, aceitando todos os desafios,
já espalhou a morte, no ar e nos rios.
Fizemos dormir um mundo desperto.
Queimamos as florestas e, pelos seus desvios,
se esparramou um irreparável deserto.
Descobrimos o átomo e sua desintegração.
E, com a bomba atômica, lançada no Japão,
os cientistas prenunciam nossa auto-destruição.
Em nome de esquisitas normas estéticas,
substituimos cataratas por hidrelétricas.
Já ocupamos a terra, como admitido,
então, novos astros fomos procurar.
Mas a ambição, maior que o espaço permitido,
nos impele, nos obriga a matar.
Conseguimos produzir coisas aos centos,
enchemos nossos celeiros de alimentos,
pesquisamos cada qualidade a fundo.
E para evitar que tudo se acabe
(que sua santa ira em nós não desabe!)
morrem de fome dois terços do mundo.
Todos os enigmas propostos deslindamos;
toda a história conseguimos restaurar
e, estranhamente, sem passado ficamos.
Transportamos montanhas
criamos paisagens estranhas
para a humanidade brincar.
Para evitar desperdício
concentramos toda a riqueza
em poucas mãos.
Da maioria, pedimos sacrifício,
para eternizar a nobreza
de poucos cidadãos.
O dilúvio que ordenaste antigamente
já está sendo preparado novamente
pela guerra nuclear.
Na certa, voltaremos ao caos primitivo,
onde era embrião qualquer ser vivo…
Fizemos tudo aquilo que disseste,
seguindo à risca teu conselho celeste.
E, agora, Senhor?
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