POR QUE?
Por que o luar ficou cor de cinza
de repente se era lua cheia
e o céu descoberto fervia de azul
acalmando o mar?
Por que o velho sabiá emudeceu
repentinamente se a melodia de seu canto
ainda ressoava pela manhã
que ardia nas réstias de sol
entremeando sombras, nas folhas caídas?
Por que a noite ficou tão longa
subitamente se as horas continuam
a contar o tempo com a pressa dos relógios
e o sol preguiçoso parou no poente
a espera da noite toda molhada de chuva?
Por que se irradiou uma profunda tristeza
inesperadamente, se a tarde até agora
encantava as palmeiras enfileiradas
que pareciam orar de mãos postas
a dançar entre as tranqüilas sombras
abençoando as avenidas buliçosas?
Por que uma saudade cresceu tanto
imprevistamente se sua imagem,
que às vezes se dilui entre palavras,
permanece nos suspiros prolongados,
sua presença persiste
a preencher os vazios
e seu sorriso continua permanentemente
dependurado em meus olhos?
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