Quantas vezes?
Quantas vezes devo dizer que te amo?
Até a tarde cair sobre a cidade
e morrer além da serra.
Antes que o sol pontue as nuvens
e as estrelas se apaguem.
Até o florescer dos ipês enfileirados
e as abelhas se empanturrarem de mel.
Antes que os passarinhos famintos
devorem todas as amoras maduras.
Depois que as palavras se desfizerem
em sinais indecifráveis
como gnomos à espera
de quem os desencante.
Antes que o amor exploda
pulverizado em estrelas no céu
em pingos d’água no mar
em perfumes no teu corpo.
Até a vida intumescida de saudade
amparar nossas esperanças…
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