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SAUDADE

A chuva balançou a noite,
acordou os relâmpagos assanhados,
fechou os olhos assustados do céu revolto
e o chão molhado de estrelas
desapareceu na madrugada.

Mas não senti
aquele cheiro gostoso
de terra molhada
nem ouvi a saparia
no brejo perdido na lembrança.

Só vi os pardais,
pelas folhas gotejantes,
tiritando de frio,
como se fossem
crianças assustadas
nas goteiras dos barracos.

E ao fechar os olhos molhados
senti a sensação do frio
correndo pelos pés descalços
sobre as enxurradas.

E mais que de repente,.
amassado de recordações,
na canseira da noite mal dormida,
o coração pulsa tão lentamente
como se quisesse alongar o tempo
e parar a vida.

Então, a saudade oscila entre quimeras…

Ainda uma vez,
a tristeza se transforma em cinzas,
embalada pelo susto do vento,
na angústia da ausência
a entrelaçar e enredar destinos.

Então, entre sonhos a saudade balança…

E mais uma vez,
abreviado pelo imprevisível,
o prazer vacila entre incertezas
do desejo incontido do retorno
e da esperança sempre renovada.

Então, desperta a saudade entre sonhos hesitantes…

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