O exterminador que abraça árvores
Foi nesse título que cliquei quando estava vendo no meu iGoogle os Feeds com a expressão “energias renováveis”. Acabei caindo numa matéria sobre política.
Não sou uma pessoa muito antenada em assuntos de política (embora devesse). Não me lembro em quem votei para as últimas eleições, mas tenho os nomes anotados junto ao título de eleitor. O que lembro é que as opções eram as mesmas, ou seja, os mesmos caras e promessas.
Os partidos se reúnem para ver quem é mais “interessante” colocar à frente para disputar determinado cargo.
Acho que isso deveria ser uma escolha popular também. Quem vamos querer que dispute a prefeitura, governo do estado ou presidência.
Se essa porta fosse diretamente aberta, talvez tivéssemos em disputa propostas mais reais de governo.
Digo porta “diretamente aberta” porque essa porta existe. São os deputados e senadores que nós colocamos lá, para seguirem seu plano de carreira e que tem a oportunidade de mostrar seu trabalho com ações e votos a favor da nação (e não só do bolso deles, como é o costume).
As vezes acho que precisamos de um “azarão”, como nos EUA, quando Schwarzenegger se tornou governador da Califórnia em 2003. Hoje, em seu segundo mandato ele governa um estado que, se fosse um país, seria a oitava maior economia do mundo, conforme matéria do Portal Exame.
O que mais me chamou a atenção nessa matéia da Exame, foram as metas ambientais do “Governator” (como é chamado - por causa do filme Exterminador do Futuro). Metas severas e palpáveis para os próximos 10 anos como diminuição dos gases que provocam o efeito estufa e investimentos em energias renováveis.
O programa mais alardeado até agora é o que pretende instalar 1 milhão de placas de energia solar em casas californianas nos próximos dez anos. E o governo vai subsidiar um terço do custo da instalação para que o equipamento seja mais barato para o cidadão comum.
Se ele conseguir botar em prática, em 2017 a Califórnia terá 3.000 megawatts de eletricidade produzida com energia solar. Quase o equivalente à capacidade de geração da usina de Ilha Solteira, no interior de São Paulo, a terceira maior hidrelétrica do Brasil.
Daí fico pensando em nossas políticas ambientais e nosso governo que só pensa em destruir para construir.
Quanto custa (em dinheiro, em danos ao meio ambiente e danos à população), construir uma usina hidrelétrica? Pelo mesmo valor daria para equipar quantas casas com energia solar, ou quantos municípios com energia eólica?
Quem costuma sempre levantar a lebre, alertar e agir é o Greenpeace. E mais do que fazer alarde, eles estudam a fundo e provam que as alternativas que defendem são viáveis, basta o governo tirar a mão do bolso (incluso trocadilhos) e botar a mão na massa.
Vejam alguns estudos do Greenpeace:
Cortina de Fumaça
Sete anos para zerar desmatamento na Amazônia: ONGs brasileiras mostram como
Cidade Ecoeficiente
Os órgãos governamentais, destinados a defender o meio ambiente - como o IBAMA - também frustram quando percebemos que eles “dão” as concessões e autorizações conforme a conveniência de alguns governos e políticas, conforme as matérias do nosso amigo João Malavolta do Ecobservatório.
Se o Greenpeace tivesse um candidato para as eleições, eu votava nele.
Mas e o nosso Partido Verde?
Ah… temos um não é? Mas.. o que ele faz, além de mobilizações que são só divulgadas no site deles e de propagandas políticas com belas imagens que muito bem poderiam ser vinhetas de um programa de TV como o Globo Ecologia?
Alguém ai lembra de ter visto nas manchetes dos jornais alguma coisa do tipo “Partido Verde faz protesto contra Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto”, por exemplo? Essa usina no Vale do Ribeira, vai inundar permanentemente uma área de, aproximadamente, 11 mil hectares, cerca de 26 municípios dos estados de São Paulo e Paraná, e vai reduzir a pesca da manjuba - base econômica de mais de quatro mil famílias da região, além da expulsão de famílias de suas localidades de origem (conforme matéria do Ecobservatório).
Ou alguma coisa como, “Partido verde propõe para votação no congresso medidas viáveis de energias limpas para substituir projeto de ativação de usinas nucleares”?
O PV Brasileiro é o patinho feio se comparado ao PV no resto do mundo. É fraco e não é ativo. O único nome que me soa bem e é vinculado ao Partido Verde é o nome de Fernando Gabeira.
A minha geração (tenho 37 anos) só conhece Gabeira pela polêmica tanguinha de crochet e pelas notícias sobre a liberação da maconha.
Mas eu soube que este ano Gabeira vai concorrer para prefeitura do Rio de Janeiro e para aceitar do desafio ele fez 4 exigências:
- Nada de inscrições em faixas, pichações em muros e tempestades de panfletos
- Nada dos habituais ataques a todos os concorrentes e todos os governos
- Toda a movimentação financeira da campanha será divulgada diariamente pela internet
- Que a equipe de governo seja livremente escolhida pelo prefeito (esses cargos normalmente são acertos pré-eleitorais, pagamento de favores, interesses partidários… essas coisas)
E para os outros municípios? Quem serão os outros anti-heróis, aquele cara que não é perfeito, tem seus vícios, mas que luta de verdade para defender uma causa “do bem”, como foi a personagem Terminator - de Schwarzenegger.
Estamos em ano eleitoral, e aquelas mesmas figurinhas carimbadas vão nos encher de bla, bla, blas eleitoreiros pra ganhar nossos votos. E então? O que vamos fazer sobre isso?
Eu?… Vou ver em quem votei nas últimas eleições (lembra que disse que tenho anotado?), e ver se alguém está envolvido em alguma CPI da vida. Vou ver os candidatos e dar uma Googlada de leve pra ver o que aparece sobre o talzinho. Vou trocar idéias com os amigos, principalmente aqueles que são mais antenados do que eu, e vou acompanhar os noticiários durante as campanhas pra ajudar a formar minha opinião de voto.
E você?
Fontes:
http://www.gabeira.com.br/blog/
http://ecobservatorio.blogspot.com/2008/03/ocupao-do-ibama-em-so-paulo.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Gabeira
http://www.pv.org.br/
http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0914/gestaoepessoas/m0154744.html
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