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O índio não entende mais os sinais da natureza

Ontem, 21 de Setembro, foi o dia da Árvore e hoje é o Dia Mundial sem carro. Postei sobre isso no Vida de Viajante e depois, organizando meus feeds, entrei no Blog do Planeta (da revista Época), e fiquei emocionada com uma declaração que li de um Índio sobre o que ele entendia sobre Aquecimento Global e como a aldeia percebe isso.

Copiei aqui a parte da entrevista que me deixou com um nó na garganta:

“Ninguém vai conseguir andar descalço no Xingu”

Época – Como vocês perceberam essa mudança?
Winti - Meu povo ainda vive do que pesca e planta. A gente sempre faz a roça de acordo com os sinais da natureza. A hora de plantar é quando o murici (uma árvore típica do cerrado) floresce. A gente faz a roça e espera a chuva. A cigarra canta e então chove. Hoje, não chove mais quando a cigarra canta. A gente fica esperando e não sabe mais quando plantar. As estrelas brilham no céu, mas a chuva não cai. As frutas também estão nascendo em épocas diferentes. Umas que só dão no verão já amadureceram em setembro. A terra está muito quente também. Na aldeia todo mundo podia andar descalço. Hoje, nem nos rituais podemos ficar descalço, porque dá bolha no pé quando dançamos. E esse sol? Não era tão quente. O homem cortou muito, destruiu todas as árvores e você vê, precisamos de árvore para suportar o calor. Tudo que está acontecendo é a comprovação do que os pajés já vinham falando.

Putz, a gente não vai tomar uma atitude não? ou vamos escolher lamentar e culpar os “homens” e o “Mundo moderdo” esquecendo que fazemos parte dele?

Confira a entrevista completa da Juliana Arini no Blog do Planeta.
Foto: Frederic Jean



Comentaram por aqui...

  • Fabiana October 8th, 2008 em 4:45 pm

    Nossa! que coisa!!!

    Dá até vergonha na gente em ser tão passivo. Nunca pensei nessas coisas mais a fundo…

    Parabéns pela matéria. Realmente emocionante

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