Internet: quem começou com essa história no Brasil?
Hoje vi um vídeo em que o jornalista Eduardo Vieira (autor do livro “Os Bastidores da Internet no Brasil”) apresenta a história da internet no Brasil para os executivos do Google, e tem várias curiosidades que compartilho com vocês aqui.
O primeiro grande empreendimento brasileiro foi o UOL – que, apesar de 100% brasileiro, foi originalmente concebido num hotel da Inglaterra, numa conversa sobre internet entre Roberto Civita (Abril) e Luís Frias (Folha) durante o café da manhã. Pois bem, ali mesmo os empresários resolveram criar um grande provedor para dominar a internet no Brasil, que se chamaria UOL (Universo OnLine) - aliás, nome bem parecido com a líder mundial AOL (America Online), de Steve Case.
Antes de criar o UOL, Luis Frias foi conhecer melhor os negócios da AOL nos EUA, e propôs uma Joint Venture para Steve Case, afim de estabelecer AOL no Brasil. Mas na época, América do Sul pra eles era uma “terra de tupiniquins”, e o Steve Case resolveu não arriscar: recusou a proposta. Luís Frias voltou pro Brasil, em 1996 criou o UOL, e logo ganhou o mercado.
Outros grandes provedores pioneiros foram o Mandic (de Alexander Mandic) e o ZAZ (de Marcelo Lacerda); e além destes, outros dois negócios de sucesso que se destacaram no início da internet brasileira foram o Booknet (de Jack London) e o Cadê (de Gustavo Viberti e Fabio de Oliveira).
Neste primeiro período da internet o crescimento foi assustador: de 100 mil usuarios para 10milhões – e em 99 os grandes grupos internacionais começaram a olhar para nossos “usuários tupiniquins” com outros olhos, e aí começaram a chegar AOL, Yahoo, eBay e outros.. Com isso, muitas empresas de internet genuinamente brasileiras começaram a quebrar.
Mas esses pioneiros se deram bem e se transformaram nos primeiros milionários da internet brasileira, embolsando de 5 a 20 milhões de dolares cada um – tá bom, né?
Agora, curioso mesmo foi a trajetória da AOL: Em 99 o Steve Case se lembrou da proposta de Luís Frias e resolveu ressucitar a possibilidade de parceria com UOL – aliás, foi o tipo da parceria “caracu” mesmo: a UOL entraria com 100 milhões de dolares e a AOL entraria com a marca e a “expertise” (e a arrogância). Claro que não rolou.
Mas mesmo assim a AOL veio e tentou fazer com que engolíssemos aquele browser proprietário deles – horrível! Aliás, lembram dos outdoors da Carla Peres espalhados por aí dizendo que se ela conseguia, você também conseguiria navegar pelo tal browser AOL?
Pois é, mas o fato é que a AOL foi um fiasco desde que entrou e, depois de 5 meses (em maio/99) Steve Case fez uma nova proposta aos acionistas do Grupo UOL – desta vez, para comprar o UOL por 6 bilhões de dolares. E a proposta foi novamente recusada!
E AOL, que era maior do mundo, não se conformava em não dominar as ondas da nossa internet, e continuava tentando… investindo… afinal, ela era a AOL! Mas no Brasil entrou com tanta arrogância e imposições, que não deu certo. Eles até chegaram a migrar todo o conteúdo do Portal AOL para o sistema aberto de internet, mas… o conteúdo também não era lá aquelas coisas… Enfim… sem noção da cultura brasileira, sem conteúdo de qualidade, com excesso de arrogância, e mais uma série de erros, dia 17 de março de 2006 a AOL encerrou suas atividades por aqui e foi embora – UFA!
Bom, outro fenômeno que marcou a internet no Brasil foi o IG (fundado por Nizan Guanaes), que começou em 2000 com Acesso Grátis, e deu uma sacudida no mercado, pois os provedores pequenos perderam clientela e os grandes tiveram que rapidamente criar benefícios ou alternativas de planos gratuitos para seus clientes. Na época, 80% das receitas dos provedores eram pelo acesso, e apenas uns 20% eram por publicidade. Então… foi mesmo uma reviravolta geral.
Atualmente, nosso cenário é de uma internet aberta…. usada não só para absorver informações, mas principalmente para se comunicar, conhecer gente nova, tornar-se conhecido, expressar opiniões, formar comunidades, enfim… interagir.
Com as ferramentas de Blogs e Redes Sociais, hoje a internet é uma “rede de pessoas” que se utilizam de máquinas para se comunicar. O Brasil é lider mundial em tempo médio online por internauta – ou seja: estamos conectados por mais tempo que usuários em outros países. E isso é porque somos um povo que se relaciona, um povo que gosta de falar, conversar, conhecer, interagir – e não apenas absorver informação e se fechar em seu casulo.
Enfim, isso é Web 2.0, e nós brasileiros estamos usando e abusando de seus recursos – muitas vezes, sem saber ou perceber o conceito dela; mas, por instinto, já fazemos parte dela.
Agora, que tal tomar um café? Mais tarde (em um outro post) conversamos sobre a Web 2.0, ok?
Ah - enquanto isso, se quiser ver o vídeo da palestra do Eduardo Vieira (é em inglês), tá na mão:
Achei que ia ser uma boa sentar aqui e assistir a palestra dele. Mas desisti logo no começo. É muito difícil dar crédito a alguém que começa dando uma informação falsa. Ele diz, logo no começo (entre 0:03:05 e 0:03:15 no vídeo) que trabalha para “Época, a maior revista semanal do Brasil”. Ora, isso é blatantemente falso: vide http://tinyurl.com/93prma
Época tem menos que a metade da circulação da maior revista semanal do Brasil, que é a Veja.
Como continuar prestando atenção em alguém que tem tão pouco respeito aos fatos?
Se quiser saber mais sobre uma outra história da Internet o Brasil, que fala de uma parte (anterior) que não foi tratada no livro/palestra do Eduardo Vieira, aponte o seu browser para:
[apresentacao]
http://www.slideshare.net/msavio/a-trajetoria-da-internet-no-brasil
[texto]
http://www.scribd.com/doc/6384285/A-Trajetoria-da-Internet-no-Brasil
[ ]s
Sávio
Aproveito o post para informar da disponibilidade de uma dissertaçã/apresentação que fiz sobre a Trajetória da Internet no Brasil. As URLS são:
http://www.scribd.com/msavio
http://www.slideshare.net/msavio/slideshows
[ ]s
Marcelo Sávio